segunda-feira, 29 de junho de 2009

Professora, eu?!


É, terminei por aqui a minha longa carreira de professora. Ora, pra quem é professor, um ano e meio é sim, uma longa carreira. Nossa, é um trabalho que leva a sério o significado da palavra... trabalho.

Eu entrei de férias na sexta-feira do meu último trabalho como professora (eu espero que tenha sido mesmo...). Fui me desligando paulatinamente dos lugares onde eu dava aula. Primeiro foi o curso de Inglês, depois a escolinha onde eu dava aula de Inglês pro ensino fundamental e, por último, deixei de dar aula particular para Júlia e Maria Theresa.

Essas duas em particular, vão me dar um pouco de saudades. Eu as ensinei durante um ano e meio e, pelo que eu soube, eu totalmente bati o recorde de tempo como professora dessas duas. Não por elas serem duas pestinhas, elas são crianças normais e até bem comportadas na maior parte do tempo. Eu acho que o problema era mesmo com as outras professoras que não tinham gabarito pra aguentar o rojão (quem me conhece bem e acompanhou o decorrer do meu trabalho naquela casa, sabe bem do que eu estou falando...).

A verdade é que elas são duas princesinhas adoravelmente inteligentes, embora me fizessem querer arrancar meus cabelos de vez em quando...

Maria Theresa então... É surpreendente. Muitos adultos graduados e pós-graduados ficariam envergonhados diante dessa criaturinha de 8 anos. Por quê? Porque ela é bastante instruída para uma criança da sua idade, tem um vocabulário riquíssimo e uma criatividade admirável.

Ela bem me lembra a mim mesma quando tinha a idade dela e eu espero que ela possa fazer muito do que eu não pude, por não ter os incentivos certos ou muito apoio da família.

A Júlia é altamente sensível. Ela se preocupa com os outros e é muito emotiva também, além de ser fera na matemática. O futuro dela com certeza também vai ser brilhante.

Eu deixei pra dizer só na sexta-feira que eu não iria mais continuar com elas no segundo semestre. A Júlia chorou e tentou negociar comigo pra que eu ficasse. A Maria Theresa não acreditou e me pediu muito para que eu reconsiderasse.

Eu gosto daquelas duas garotinhas e vou sentir falta delas e me preocupar com o tipo de pessoa que vai ocupar o meu lugar. Será que ela vai ter paciência com elas? Será que vai ensiná-las direito? Será que ela vai saber aproveitar o talento e a inteligência daquelas duas bonequinhas? Eu espero que sim.

Então, desde sexta-feira eu estou oficialmente desempregada. Depois de um ano e meio trabalhando todo dia eu estou de volta àquela vida de fazer nada. Por enquanto.

Agora eu vou aproveitar minhas últimas férias de verdade porque, no mundo dos adultos, isso não parece ser uma coisa de que eles gostem muito. Afff...

É isso aí!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Arlinda



Hoje eu vou escrever sobre a Arlinda. Quem é a Arlinda?

É o que eu vou dizer aqui...

Eu conheci a Arlinda na universidade. Nós passamos 5 anos juntas no curso de Jornalismo e até fomos amigas em um pedaço desse tempo.

Essa menina sempre deu o que falar na nossa turma. O temperamento dela era algo meio que parecido com aqueles fenômenos da natureza que fazem com que o tempo mude de repente. Nada do tipo de sol a chuva, não... Era de sol a nevasca e de uma brisa leve a um furacão. Ela brigou com praticamente todo mundo da nossa turma e falava o que pensava na cara de qualquer um, mesmo quando isso não era muito conveniente.

Com mais ou menos um ano e meio estudando juntas a Arlinda me fez passar uma das maiores vergonhas de que eu tenho lembrança. Nós ficamos de dupla em um trabalho de informática. Ela havia feito a parte dela e me entregou para que eu pudesse completar com a minha. Só que eu confundi as datas de entrega e esqueci de fazer. Esqueci mesmo. Era final de semestre e os professores tem o terrível costume de passar todos os trabalhos ao mesmo tempo. Eu estava concentrada em um deles e esqueci o de informática.

Quando eu cheguei pra aula, a Arlinda veio me perguntar se eu tinha levado o trabalho e eu respondi que tinha esquecido de fazer. Então, ela colocou em prática o que me deixa mais desconcertada de todas as coisas que me deixam desconcertadas: ela começou a gritar.

Eu não sei brigar. Eu não sei gritar com ninguém. Eu queria bem saber, mas eu não sei. Senão, eu teria dito todas as palavras malcriadas que passaram pela minha cabeça, no mesmo tom em que ela falou ali comigo.

Eu fiquei meio que paralisada, sem ação, travada. Porque é isso que acontece quando alguém briga comigo. Eu fico nervosa e com um certo pânico.

Então eu tive que engolir todas essas coisas chatas que eu estava sentindo e fingir que não tinha um monte de gente olhando aquela cena toda. Aí eu só virei as costas e deixei ela gritando ali sozinha.

É claro que ela tratou de atrair mais atenção e começou a chorar como se fosse o fim do mundo. Como se a professora fosse um dragão de 3 cabeças e não fosse entender se a gente dissesse pra ela: "Olha, professora... a gente não conseguiu terminar o trabalho a tempo. Tem as outras disciplinas e tal... Fim de semestre... A senhora pode dar outro prazo pra gente?" E foi o que aconteceu! A professora me deu um prazo novo, já que a Arlinda fez com que as pessoas saíssem atrás de um computador pra ela poder terminar o benedito do trabalho, pra ela entregar sozinha.

E eu fiquei lá... A megera, a irresponsável, a inútil... Como se eu tivesse acordado naquele dia e resolvido: "Hoje eu não vou fazer esse trabalho de informática coisa nenhuma. É! Eu vou é assistir TV o dia todo, ler umas revistas e fazer as unhas. Tô nem aí pra Arlinda. E num tô nem aí pra mim também, porque o trabalho também é meu."

É... Até parece que eu fiz isso, ao invés de acordar cedo e ir em uma casa de deteção para menores infratoras entrevistar a diretora e saber como era a rotina dessas meninas em um lugar como esse.

Eu fiquei triste e com uma vontade de chorar tremenda. Mas eu não fiz isso. E só eu sei como foi difícil, já que eu sou a maior chorona de todos os tempos, se vocês querem saber. E depois eu senti raiva também. Muita raiva. Na verdade MUITA raiva. Uma raiva que eu nunca senti antes.

Mas o que mais me chateava era o fato de, no dia seguinte, a Arlinda agir como se nada tivesse acontecido. Era como se ela totalmente ignorasse os meus sentimentos, como se eles não valessem nada.

Eu não sou como ela. Meu coração se fere e demora a cicatrizar. Mas ele cicatrizou. Nada como o tempo, né?

E eu comecei a achar a Arlinda simpática e até... amigável.

Nós trabalhamos juntas. Nós apresentamos um programa de variedades na Rádio Difusora e passamos a ficar muito tempo juntas. Foi o tempo em que me senti mais amiga da Arlinda. Falo de ser amiga, mesmo. Eu contava a minha vida e ela me deixava saber algumas coisas sobre a dela. Sempre achei Arlinda meio misteriosa. E um tempo depois eu pude ter certeza absoluta disso.

Foi durante esse tempo também que o curto tempo dessa amizade, se acabou.

A Arlinda foi noiva por 5 anos com um cara que ela conheceu na escola. Gastou uma fortuna com chá-de-panela, mobiliou um apartamento e dias antes do casamento ela desistiu de tudo. Foi aí que ela começou a experimentar a liberdade contida durante 5 anos e namorou como nunca.

Por nunca conseguir ficar sozinha, ela sempre quis também que nós, as amigas encalhadas, tivéssemos companhia como ela.

Então ela fez coisas do tipo, entregar meu número de telefone pro rapaz desconhecido que sentou ao lado dela no ônibus, além de inventar que um colega dela de trabalho estava a fim de mim. E a confusão começou aí...

Eu acreditei nesse "clima" que ela inventou. Ela meio que chegou pro cara e disse que eu tava a fim dele e chegou pra mim e disse a mesma coisa. Então eu comecei a alimentar aquilo, cheguei a conversar com o garoto, nós marcamos de se encontrar e tal... E no dia que a gente se encontrou ele, tipo, totalmente me ignorou. Eu fiquei chateada e magoada e ela viu isso tudo. E não achando pouco, ela ficou com o menino em um evento em que eu estava presente, não fez questão de ser discreta e depois me contou isso como se fosse a coisa mais engraçada do mundo.

E eu fiquei profundíssimamente magoada com o fato de eu estar ali, quieta na minha e ela ter decidido fazer escolhas por mim, brincar com meu destino, com meus sentimentos e inventar essa história toda pra, no final, eu sair prejudicada.

Eu estava passando por um período meio difícil comigo mesma. É quando a gente está tomando consciência de que está ficando adulta e não tem como atrasar mais isso. E você começa a se perguntar quem é e porque não está contente com você mesma. Eu não precisava que a Arlinda me arranjasse um meio de levar um belo de um fora naquele momento e arrasar ainda mais a minha pouca autoestima.

As minhas decepções com essa garota não pararam por aí. E não só por coisas que me afetaram diretamente mas, com o que ela fazia de mal para as outras pessoas, principalmente se elas fossem minhas amigas.

Eu fiquei com um rancor muito grande dela. Eu sei que ela vai ler isso e pelo que eu conheço dela ela pode até ficar surpresa com tudo isso que eu estou dizendo aqui, porque parece que ela nunca percebia o efeito ruim que ela deixava nas pessoas. Quer dizer, ela até podia perceber, ela não é burra. Ela sabe que toda ação tem sua reação. Ela até pedia desculpas pra todo mundo a cada vez que a gente se reunia pra confraternizar ou coisa do tipo. Ela fez isso na nossa aula da saudade, na semana da formatura. E ela sempre dizia que sentia muito e que ia mudar e tal... Sinceramente, Arlinda, eu nunca acreditei de verdade nessas palavras.

De uns tempos pra cá, eu deixei de tentar entender essa alma atormentada e só tenho acompanhado de longe (numa distância segura, que eu num sou besta) a intensidade com que ela tem vivido. Eu falo com ela amigavelmente, mas não me sinto amiga e, pelo menos agora, eu não tenho vontade de ser. Talvez eu ainda tenha medo dela. Nós totalmente temos sintonias muito diferentes. Quem sabe algum dia, né Arlinda? Um dia talvez eu deixe de te considerar só colega de curso e a gente volte a ser amigas novamente.

E dessa observação toda que eu tenho feito eu percebi que, bem, tem uma pessoa ali dentro. Tem uma pessoa, tem um coração e uma cabeça doidinha. Ela está meio perdida (na verdade ela sempre foi sem rumo mesmo...) e está tentando encontrar um caminho, o caminho dela. O negócio é que ela escolhe muitos deles, não tem paciência de chegar até o final, ela mesma se machuca, parece que ela não gosta dela.

Arlinda quer o que todo mundo quer. E ela tem tudo pra conseguir. Ela quer um amor, quer amigos, quer família. Ela quer casar e ter filhos e se dedicar a eles. Ela vai saber fazer isso muito bem. Ela pode até dizer que não... Como eu disse, não tenho tido tanto contato com ela pra saber se ainda é o que ela quer. Ela pode dizer que não porque já noivou, já namorou muito e casou também! Não deu certo... Ela se dedicou demais a uma pessoa que não tinha a mesma intenção. Ela gastou energias em uma coisa que, todo mundo via, já estava fadada ao fracasso. E depois disso tudo ela pode dizer que agora ela quer é saber de estudar e trabalhar e ser independente e se dedicar mais a ela e blá, blá, blá... Ela sempre disse isso e nunca chegou a executar o plano.

E embora eu tenha visto que ela amadureceu um bocado e aprendeu com os tropeços que ela deu, menina... ainda tem que ter um pouco mais de paciência com a vida e olhar mais para dentro de você.

E hoje eu também a admiro, porque ela teve coragem de terminar com o namorado, vender o carro, deixar o emprego, a família, os amigos e ir pra São Paulo se aventurar naquele hospício de proporções gigantescas.

Arlinda, apesar de tudo, eu te desejo sorte. Desejo também que você crie juízo e veja que se você parar um pouco pra tomar noção do que acontece dentro de você, de se conhecer, de saber o que você quer de verdade (hummm... é... isso se chama sensibilidade... ou coisa assim), você vai encontrar o caminho certo e vai ver que a entrada desse caminho só estava um pouco coberta por alguns galhos e que você não viu porque passou por ele rápido demais (e mais de uma vez, com certeza).

Boa sorte pra você aí. Eu espero que dê tudo certo mesmo. Espero que você se torne maior do que já é e... pelo amor de Deus... não faça eu me arrepender dessas últimas palavras. Vai ser um mico muito grande!!

Juízo macaca!!
É isso aí!!


quarta-feira, 27 de maio de 2009

Juma doidinha...

O presente post foi retirado pela falta de bom humor da Jonilza.

E eu acho que, por causa disso, nós não somos mais amigas.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Lost...


Estou aborrecida, triste e perdida...
Meu coração tá pesado.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Diferente...


Olha só quem resolveu aparecer por aqui, né...? A Dona do blog!! (rsrs) Que coisa, não?! Não sei o que há, mas pelo que vocês puderam perceber, tenho deixado meu querido blog meio assim de lado. Tá bom. Totalmente de lado.

Sei lá... De tempos em tempos me dá esse negócio de não querer escrever muito. E eu também não gosto disso, porque se eu não tenho vontade nem criatividade para escrever é que tem algo de errado comigo.


Quando eu passo muito tempo sem escrever é porque eu acho que não tem acontecido nada interessante para ser escrito, o que vocês sabem perfeitamente que não é verdade já que, eu bem contei várias histórias aqui que saíram de situações bem cotidianas e que ficaram até engraçadas.


É... se eu não vejo nada de interessante nas coisas que acontecem no meu dia-a-dia... Há algo de errado mesmo.

Eu sei o que é? É claro que sei... A gente sempre sabe o que se passa dentro da gente. A gente sempre sabe. Mesmo que você tente se enganar... Não adianta. No fundo a gente sempre sabe.

Eu sei como resolver isso? Talvez eu saiba, sim. Eu quero ter é coragem pra fazer...


Então, vou deixá-los atualizados sobre o que anda acontecendo em minha vida ultimamente.
Eu dou aula particular para duas garotinhas muito inteligentes. Estou ficando cansada de dar aulas particulares... Ora! Essa garota é formada em jornalismo, pelo amor de Deus! Por que não procura um emprego na área? Vocês devem estar se perguntando isso agora.

Eu já cansei de responder essa pergunta. As pessoas não entendem na maioria das vezes o significado da palavra
vocação. Boa parte das pessoas que trabalham no nosso jornalismo não tem a mínima competência pra isso. Mesmo assim, elas insistem e acabam fazendo a coisa muito mal feita. Eu tenho consciência. Não quero cometer o mesmo erro.

É. Eu passei 5 anos estudando jornalismo e não gosto dessa área. Por que, mesmo assim, eu continuei o curso e acabei me formando? Eu tinha que dar um retorno pros meus pais de toda a fortuna que eles gastaram na minha educação. Eu tinha que entregar um diploma nas mãos deles, não é?

Ainda continuo estudando. No final deste semestre eu termino o curso de Relações Públicas. Tenho um trabalho de conclusão de curso para entregar. Isso me deixa preocupada.
Minhas dores de cabeça voltaram. Um ano sem ter enxaqueca e agora ela voltou pra me atormentar. Eu sei porque ela está aqui. Eu ando preocupada e angustiada. Ela gosta de me fazer companhia quando eu fico assim.

O meu pai, que já era ausente quando morávamos na mesma casa, agora praticamente não faz parte da minha vida. Isso me deixa magoada e muito triste, afinal ele é meu pai e não uma pessoa qualquer que passou pela minha vida.É como se eu estivesse sendo punida pelos erros que não fui eu que cometi...


Ultimamente eu tenho andado bastante sensível e emotiva. Tenho lembrado de muitas coisas que eu acreditava ter esquecido porque não me faziam bem. As pessoas podem não entender as minhas lágrimas repetinas, às vezes sem sentido. É que elas podem ter ficado presas por muito tempo e agora escapem por qualquer coisa. Peço que me compreendam...

As minhas mudanças de humor também podem parecer inexplicáveis e surpreedentes. A gente fica surpreso quando não sabe a razão das coisas. Talvez isso seja culpa minha porque eu não sei
falar de mim.

Eu nunca mais fui em José de Freitas pra ficar com as minhas amigas. Eu coloco a culpa no trabalho e na falta de tempo. Pode ser que isso não seja muito verdade...
Elas cobram a minha presença e eu sei que elas têm motivo. Eu as deixei um pouco de lado realmente. Sinto falta delas.

Agora eu tenho um namorado, vocês também sabem disso. Estou aprendendo como conviver sendo uma dupla. É meio esquisito às vezes. Quando se fica sozinha durante muito e muito tempo... Quando nunca se teve um relacionamento sério e estável... É, às vezes é meio estranho. Porque estou vivendo coisas que nunca vivi antes e a gente acaba estranhando um pouco as novidades, né?

Além disso, as pessoas sempre são diferentes umas das outras, por mais afinidades que se possa ter. E o que eu estou aprendendo é que pra ficar mais fácil ser uma dupla, nós devemos respeitar os gostos e opinões um do outro, respeitar o outro e se respeitar também.
É importante não esquecer quem você é.

É bom ter uma pessoa do seu lado. Principalmente se você sabe que pode se segurar nela quando acha que vai cair.


Enfim... Estou com a sensação de que minha vida levou uma sacodida e saiu um pouco do eixo. Eu espero conseguir que ela volte pro lugar. Há muito tempo não me sentia assim. Não tenho saudade desse tempo. Eu quero ser eu de novo...

quinta-feira, 12 de março de 2009

Era só uma pizza!!!


Estou cansada! Cansada de ficar pulando num pé só, de um lado pro outro... E tudo isso porque eu fui comer uma pizza no sábado passado!

Não, eu não comi pizza de Saci Pererê... Tá achando isso aqui conversa de maluco? Eu me auto-intitulo de Doida da Lua, não é de se esperar que as coisas na minha vida sejam normais, pelo amor de Deus...


Então, deixa eu contar como foi que eu fiquei pulando depois de comer uma pizza...


Ir à pizzaria no fim de semana é uma coisa normal e todo mundo gosta disso, né? Ainda mais se você está acompanhada de pessoas agradáveis, ouvindo uma boa música e tal.


Pra comemorar o emprego novo do meu cunhado, nós juntamos uma turma e nos reunimos ao redor de uma mesa com comida e bebida, como as pessoas sempre fazem quando querem festejar alguma coisa.


Já depois da pizza (pelo menos eu consegui comer...), me aconteceu um pequeno acidente de percurso. É... o acidente estava no percurso mesmo. Havia uma garrafa no meio do caminho. E no caminho do garçon. E isso não foi nenhum pouco poético...


Alguma pessoa bastante inteligente e atenta à segurança no local de trabalho, deixou uma garrafa no chão, no caminho das pessoas. O que é de se estranhar, porque nesse lugar não se tem o hábito de colocar garrafas embaixo das mesas. Mas ela estava lá. E o garçon também. Ele veio com uma bandeja enoooooooorme, cheia de coisas e por ter seu campo de visão reduzido, chutou a benedita da garrafa.


Acontece que, quando ele chutou o diabo da garrafa, ela bateu no chão, quebrou e... foi direto no pé de quem? Hein? Hein? No pé da Lanussa, é claro!! Porque, de todas aquelas pessoas que sentavam naquela mesa, eu, justamente EU, fui a sorteada.


Vocês não têm noção da força com que aquela coisa me atacou! Imaginem uma bala de revólver indo de encontro ao alvo... Era aquela garrafa indo de encontro ao meu calcanhar. A pancada foi tão grande e dolorida que, eu tive logo certeza de que tinha um enorme corte ali. Eu nem quis olhar pra confirmar, eu só estendi a perna pro Herlon e ele se encarregou de saber o quanto ainda tinha sobrado do meu pé.

O corte foi bem feio. Eu vou ser bem nojenta agora e dizer que um pedaço do meu calcanhar ficou pendurado só pela parte de cima.


Mas o que me assustou realmente foi quando as pessoas começaram a dizer que era melhor eu ir para um hospital e eu até pensei em dizer: "Qual é pessoas?! É só passar um algodãozinho e colocar um esparadrapo, que tá tudo ótimo!" O que eu nem cheguei a falar porque, tipo, eu acho que elas não iam me dar muita atenção mesmo.


O susto seguinte foi eu lembrar que estou sem plano de saúde e ouvir as pessoas repetirem que eu teria que fazer uso do nosso exelente serviço de saúde pública. Eu juro, comecei a tremer só de pensar. E eu tremi mais ainda quando as minhas suspeitas se concretizaram na minha frente, na forma de uma mulher gorda, feia e incompetente.


A atendente do hospital não deu a mínima pra gente. O Herlon estava quase colocando os bofes pra fora por ter que me carregar pra lá e pra cá e ela não se deu ao trabalho de abrir aquela bocona dela e nos dizer onde é que a gente conseguia um curativo. Na verdade, quem nos atendeu mesmo foi a moça da limpeza que estava sentada numa cadeira ao lado.

Ela nos disse onde se fazia o curativo e onde nós poderíamos sentar pra esperar o atendimento. E a mulher gorda nem se importou com o fato de que eu estava me desmanchando em sangue. Claro que não... O que é esse detalhe se comparado à importância dela colocar meu endereço numa ficha? Quer dizer, você pode estar morrendo ali, mas a mulher quer saber é do bairro onde você mora!!!


Os sustos não pararam por aí... Quando eu entrei na sala de sutura e vi a sujeira que tinha naquele lugar eu quase implorei que me deixassem morrer de hemorragia, porque, se eu não morresse por hemorragia, era óbvio que uma infecção ia conseguir fazer isso.


E eu acho que o enfermeiro preferiu a primeira opção... A falta de pressa em fazer aquele curativo deixou isso bem claro. O que era um pouquinho de sangue pingando no chão da sala dele? Depois era só passar um pedacinho de algodão ali, sem detergente nem nada, ou qualquer coisa que limpasse de verdade aquele chão imundo. Afinal, é preciso manter as características naturais do local, porque, é isso que faz ele ser único e tão... "acolhedor". Acolhedor de bactérias, eu quero dizer.


Quando ele disse que o corte precisaria de alguns pontos o meu desespero chegou ao limite do insuportável. Não por causa da dor... (ah, qual é? Foi por causa da dor também!), mas pelo fato de que aquela pessoa delicada iria enfiar agulhas no meu pé e eu estava enojada com a sujeira que habitava há séculos o lugar onde me obrigaram a ficar deitada.
Eu só conseguia pensar nos milhões de bactérias invadindo o meu corpo e de como havia sangue ali no mesmo lugar onde eu estava, minutos antes de eu entrar naquela sala. Sangue de outra pessoa, que eu nem sabia de onde vinha e não tinha sequer um paninho esterilizado ou uma toalha descartável ali em cima. Eeeeeeeeeeecccccccccaaaaaaaaa!!!! Como aquilo ali era nojeeeeeeeeeeeeento!!!!

Eu chorava. A cada vez que eu levantava um pouco a cabeça e olhava pra imundice que tinha na ponta da mesa, eu chorava mais. O Herlon me disse depois que as minhas lágrimas escorriam pela mesa de metal e ele conseguia ver a sujeira que elas levavam... Aaaaaarrrrrrgggghhhh!!!
O enfermeiro futucava o meu pé como se estivesse mexendo, assim, na cara da mãe dele. O Herlon ficou até com medo de reclamar e ele resolver brincar de Doutor Louco e fazer uma experência científica inédita com o meu calcanhar. Então, nós só tivemos que respirar fundo e esperar aquela sessão de trotura chinesa acabar.

O meu amor ficou comigo o tempo todo, enquanto o irmão mais novo e o primo dele esperavam lá fora. Eles não eram muito chegados em, tipo... sangue. E o Herlon foi forte e ficou me apertando enquanto o cara lá fazia ponto de cruz no meu pezinho delicado. Até que...

Até que eu senti a mão do Herlon se afrouxar no meu braço e, quando o açougueiro disse que eu já podia levantar, eu olhei para trás e vi o lugar mais limpo. "Cadê o Herlon, pelo amor de Deus?! Não me deixem aqui sozinha com esse Jack o Estripador!!" Eu não cheguei a gritar isso, porque logo o Elvis entrou na sala e me carregou lá pra fora. O pobre do meu amor tinha baixado a pressão de tanto ver aquele sujeito mexer no meu pé, como se estivesse temperando um filé de alcatra (rsrs).

Então, depois disso tudo, eu estou aqui, sem poder andar pra lugar nenhum e usando uma forma não muito convencional para me locomover. Eu tenho que ficar pulando num pé só pra poder ir ao banheiro ou à cozinha. Eu já utilizei todas as versões pra se sentar no sofá da sala. Minha bunda já deve ter um calo ou dois de tanto ficar sentada. Eu tenho que usar uma cadeira pra tomar banho. Eu não pude começar a academia esta semana. As minhas alunas estão levando um dever de casa vergonhoso pra escola porque a mãe é ausente e eu não posso ir até lá pra ensiná-las. Resumindo: a minha vida parou até, pelo menos, segunda-feira que vem, só porque eu fui comer uma pizza no sábado passado.


Por isso, pessoas... Cuidado! Comer pizza pode ser prejudicial à saúde!


E, tá bom! Eu sei, eu sei... eu tenho uma pequena queda para o drama, uma imaginação hiperativa e uma necessidade patológica de criar situações intensas na minha vida. Mas, qual é?! Vocês não iriam achar graça nenhuma se eu escrevesse aqui: "eu cortei o pé, costurei o pé e agora estou pulando feito canguru."rsrs


Não, esta não seria eu! E tudo que eu contei aqui é verdade! Eu aumento mas não invento!kkkkk
É isso aí!!