quarta-feira, 13 de maio de 2009

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Diferente...


Olha só quem resolveu aparecer por aqui, né...? A Dona do blog!! (rsrs) Que coisa, não?! Não sei o que há, mas pelo que vocês puderam perceber, tenho deixado meu querido blog meio assim de lado. Tá bom. Totalmente de lado.

Sei lá... De tempos em tempos me dá esse negócio de não querer escrever muito. E eu também não gosto disso, porque se eu não tenho vontade nem criatividade para escrever é que tem algo de errado comigo.


Quando eu passo muito tempo sem escrever é porque eu acho que não tem acontecido nada interessante para ser escrito, o que vocês sabem perfeitamente que não é verdade já que, eu bem contei várias histórias aqui que saíram de situações bem cotidianas e que ficaram até engraçadas.


É... se eu não vejo nada de interessante nas coisas que acontecem no meu dia-a-dia... Há algo de errado mesmo.

Eu sei o que é? É claro que sei... A gente sempre sabe o que se passa dentro da gente. A gente sempre sabe. Mesmo que você tente se enganar... Não adianta. No fundo a gente sempre sabe.

Eu sei como resolver isso? Talvez eu saiba, sim. Eu quero ter é coragem pra fazer...


Então, vou deixá-los atualizados sobre o que anda acontecendo em minha vida ultimamente.
Eu dou aula particular para duas garotinhas muito inteligentes. Estou ficando cansada de dar aulas particulares... Ora! Essa garota é formada em jornalismo, pelo amor de Deus! Por que não procura um emprego na área? Vocês devem estar se perguntando isso agora.

Eu já cansei de responder essa pergunta. As pessoas não entendem na maioria das vezes o significado da palavra
vocação. Boa parte das pessoas que trabalham no nosso jornalismo não tem a mínima competência pra isso. Mesmo assim, elas insistem e acabam fazendo a coisa muito mal feita. Eu tenho consciência. Não quero cometer o mesmo erro.

É. Eu passei 5 anos estudando jornalismo e não gosto dessa área. Por que, mesmo assim, eu continuei o curso e acabei me formando? Eu tinha que dar um retorno pros meus pais de toda a fortuna que eles gastaram na minha educação. Eu tinha que entregar um diploma nas mãos deles, não é?

Ainda continuo estudando. No final deste semestre eu termino o curso de Relações Públicas. Tenho um trabalho de conclusão de curso para entregar. Isso me deixa preocupada.
Minhas dores de cabeça voltaram. Um ano sem ter enxaqueca e agora ela voltou pra me atormentar. Eu sei porque ela está aqui. Eu ando preocupada e angustiada. Ela gosta de me fazer companhia quando eu fico assim.

O meu pai, que já era ausente quando morávamos na mesma casa, agora praticamente não faz parte da minha vida. Isso me deixa magoada e muito triste, afinal ele é meu pai e não uma pessoa qualquer que passou pela minha vida.É como se eu estivesse sendo punida pelos erros que não fui eu que cometi...


Ultimamente eu tenho andado bastante sensível e emotiva. Tenho lembrado de muitas coisas que eu acreditava ter esquecido porque não me faziam bem. As pessoas podem não entender as minhas lágrimas repetinas, às vezes sem sentido. É que elas podem ter ficado presas por muito tempo e agora escapem por qualquer coisa. Peço que me compreendam...

As minhas mudanças de humor também podem parecer inexplicáveis e surpreedentes. A gente fica surpreso quando não sabe a razão das coisas. Talvez isso seja culpa minha porque eu não sei
falar de mim.

Eu nunca mais fui em José de Freitas pra ficar com as minhas amigas. Eu coloco a culpa no trabalho e na falta de tempo. Pode ser que isso não seja muito verdade...
Elas cobram a minha presença e eu sei que elas têm motivo. Eu as deixei um pouco de lado realmente. Sinto falta delas.

Agora eu tenho um namorado, vocês também sabem disso. Estou aprendendo como conviver sendo uma dupla. É meio esquisito às vezes. Quando se fica sozinha durante muito e muito tempo... Quando nunca se teve um relacionamento sério e estável... É, às vezes é meio estranho. Porque estou vivendo coisas que nunca vivi antes e a gente acaba estranhando um pouco as novidades, né?

Além disso, as pessoas sempre são diferentes umas das outras, por mais afinidades que se possa ter. E o que eu estou aprendendo é que pra ficar mais fácil ser uma dupla, nós devemos respeitar os gostos e opinões um do outro, respeitar o outro e se respeitar também.
É importante não esquecer quem você é.

É bom ter uma pessoa do seu lado. Principalmente se você sabe que pode se segurar nela quando acha que vai cair.


Enfim... Estou com a sensação de que minha vida levou uma sacodida e saiu um pouco do eixo. Eu espero conseguir que ela volte pro lugar. Há muito tempo não me sentia assim. Não tenho saudade desse tempo. Eu quero ser eu de novo...

quinta-feira, 12 de março de 2009

Era só uma pizza!!!


Estou cansada! Cansada de ficar pulando num pé só, de um lado pro outro... E tudo isso porque eu fui comer uma pizza no sábado passado!

Não, eu não comi pizza de Saci Pererê... Tá achando isso aqui conversa de maluco? Eu me auto-intitulo de Doida da Lua, não é de se esperar que as coisas na minha vida sejam normais, pelo amor de Deus...


Então, deixa eu contar como foi que eu fiquei pulando depois de comer uma pizza...


Ir à pizzaria no fim de semana é uma coisa normal e todo mundo gosta disso, né? Ainda mais se você está acompanhada de pessoas agradáveis, ouvindo uma boa música e tal.


Pra comemorar o emprego novo do meu cunhado, nós juntamos uma turma e nos reunimos ao redor de uma mesa com comida e bebida, como as pessoas sempre fazem quando querem festejar alguma coisa.


Já depois da pizza (pelo menos eu consegui comer...), me aconteceu um pequeno acidente de percurso. É... o acidente estava no percurso mesmo. Havia uma garrafa no meio do caminho. E no caminho do garçon. E isso não foi nenhum pouco poético...


Alguma pessoa bastante inteligente e atenta à segurança no local de trabalho, deixou uma garrafa no chão, no caminho das pessoas. O que é de se estranhar, porque nesse lugar não se tem o hábito de colocar garrafas embaixo das mesas. Mas ela estava lá. E o garçon também. Ele veio com uma bandeja enoooooooorme, cheia de coisas e por ter seu campo de visão reduzido, chutou a benedita da garrafa.


Acontece que, quando ele chutou o diabo da garrafa, ela bateu no chão, quebrou e... foi direto no pé de quem? Hein? Hein? No pé da Lanussa, é claro!! Porque, de todas aquelas pessoas que sentavam naquela mesa, eu, justamente EU, fui a sorteada.


Vocês não têm noção da força com que aquela coisa me atacou! Imaginem uma bala de revólver indo de encontro ao alvo... Era aquela garrafa indo de encontro ao meu calcanhar. A pancada foi tão grande e dolorida que, eu tive logo certeza de que tinha um enorme corte ali. Eu nem quis olhar pra confirmar, eu só estendi a perna pro Herlon e ele se encarregou de saber o quanto ainda tinha sobrado do meu pé.

O corte foi bem feio. Eu vou ser bem nojenta agora e dizer que um pedaço do meu calcanhar ficou pendurado só pela parte de cima.


Mas o que me assustou realmente foi quando as pessoas começaram a dizer que era melhor eu ir para um hospital e eu até pensei em dizer: "Qual é pessoas?! É só passar um algodãozinho e colocar um esparadrapo, que tá tudo ótimo!" O que eu nem cheguei a falar porque, tipo, eu acho que elas não iam me dar muita atenção mesmo.


O susto seguinte foi eu lembrar que estou sem plano de saúde e ouvir as pessoas repetirem que eu teria que fazer uso do nosso exelente serviço de saúde pública. Eu juro, comecei a tremer só de pensar. E eu tremi mais ainda quando as minhas suspeitas se concretizaram na minha frente, na forma de uma mulher gorda, feia e incompetente.


A atendente do hospital não deu a mínima pra gente. O Herlon estava quase colocando os bofes pra fora por ter que me carregar pra lá e pra cá e ela não se deu ao trabalho de abrir aquela bocona dela e nos dizer onde é que a gente conseguia um curativo. Na verdade, quem nos atendeu mesmo foi a moça da limpeza que estava sentada numa cadeira ao lado.

Ela nos disse onde se fazia o curativo e onde nós poderíamos sentar pra esperar o atendimento. E a mulher gorda nem se importou com o fato de que eu estava me desmanchando em sangue. Claro que não... O que é esse detalhe se comparado à importância dela colocar meu endereço numa ficha? Quer dizer, você pode estar morrendo ali, mas a mulher quer saber é do bairro onde você mora!!!


Os sustos não pararam por aí... Quando eu entrei na sala de sutura e vi a sujeira que tinha naquele lugar eu quase implorei que me deixassem morrer de hemorragia, porque, se eu não morresse por hemorragia, era óbvio que uma infecção ia conseguir fazer isso.


E eu acho que o enfermeiro preferiu a primeira opção... A falta de pressa em fazer aquele curativo deixou isso bem claro. O que era um pouquinho de sangue pingando no chão da sala dele? Depois era só passar um pedacinho de algodão ali, sem detergente nem nada, ou qualquer coisa que limpasse de verdade aquele chão imundo. Afinal, é preciso manter as características naturais do local, porque, é isso que faz ele ser único e tão... "acolhedor". Acolhedor de bactérias, eu quero dizer.


Quando ele disse que o corte precisaria de alguns pontos o meu desespero chegou ao limite do insuportável. Não por causa da dor... (ah, qual é? Foi por causa da dor também!), mas pelo fato de que aquela pessoa delicada iria enfiar agulhas no meu pé e eu estava enojada com a sujeira que habitava há séculos o lugar onde me obrigaram a ficar deitada.
Eu só conseguia pensar nos milhões de bactérias invadindo o meu corpo e de como havia sangue ali no mesmo lugar onde eu estava, minutos antes de eu entrar naquela sala. Sangue de outra pessoa, que eu nem sabia de onde vinha e não tinha sequer um paninho esterilizado ou uma toalha descartável ali em cima. Eeeeeeeeeeecccccccccaaaaaaaaa!!!! Como aquilo ali era nojeeeeeeeeeeeeento!!!!

Eu chorava. A cada vez que eu levantava um pouco a cabeça e olhava pra imundice que tinha na ponta da mesa, eu chorava mais. O Herlon me disse depois que as minhas lágrimas escorriam pela mesa de metal e ele conseguia ver a sujeira que elas levavam... Aaaaaarrrrrrgggghhhh!!!
O enfermeiro futucava o meu pé como se estivesse mexendo, assim, na cara da mãe dele. O Herlon ficou até com medo de reclamar e ele resolver brincar de Doutor Louco e fazer uma experência científica inédita com o meu calcanhar. Então, nós só tivemos que respirar fundo e esperar aquela sessão de trotura chinesa acabar.

O meu amor ficou comigo o tempo todo, enquanto o irmão mais novo e o primo dele esperavam lá fora. Eles não eram muito chegados em, tipo... sangue. E o Herlon foi forte e ficou me apertando enquanto o cara lá fazia ponto de cruz no meu pezinho delicado. Até que...

Até que eu senti a mão do Herlon se afrouxar no meu braço e, quando o açougueiro disse que eu já podia levantar, eu olhei para trás e vi o lugar mais limpo. "Cadê o Herlon, pelo amor de Deus?! Não me deixem aqui sozinha com esse Jack o Estripador!!" Eu não cheguei a gritar isso, porque logo o Elvis entrou na sala e me carregou lá pra fora. O pobre do meu amor tinha baixado a pressão de tanto ver aquele sujeito mexer no meu pé, como se estivesse temperando um filé de alcatra (rsrs).

Então, depois disso tudo, eu estou aqui, sem poder andar pra lugar nenhum e usando uma forma não muito convencional para me locomover. Eu tenho que ficar pulando num pé só pra poder ir ao banheiro ou à cozinha. Eu já utilizei todas as versões pra se sentar no sofá da sala. Minha bunda já deve ter um calo ou dois de tanto ficar sentada. Eu tenho que usar uma cadeira pra tomar banho. Eu não pude começar a academia esta semana. As minhas alunas estão levando um dever de casa vergonhoso pra escola porque a mãe é ausente e eu não posso ir até lá pra ensiná-las. Resumindo: a minha vida parou até, pelo menos, segunda-feira que vem, só porque eu fui comer uma pizza no sábado passado.


Por isso, pessoas... Cuidado! Comer pizza pode ser prejudicial à saúde!


E, tá bom! Eu sei, eu sei... eu tenho uma pequena queda para o drama, uma imaginação hiperativa e uma necessidade patológica de criar situações intensas na minha vida. Mas, qual é?! Vocês não iriam achar graça nenhuma se eu escrevesse aqui: "eu cortei o pé, costurei o pé e agora estou pulando feito canguru."rsrs


Não, esta não seria eu! E tudo que eu contei aqui é verdade! Eu aumento mas não invento!kkkkk
É isso aí!!

domingo, 1 de março de 2009

Um tesouro escondido.


Ontem eu arrumei o meu armário sem querer. É, sem querer. Tipo, eu estava procurando um papel com uma uma receita de frango e, quando dei por mim, tava arrumando o tal do armário. Tinha muita bagunça e eu joguei 10 quilos de papel fora.

Pra quem não sabe, eu sou a maníaca do papel. Ninguém pode me dar papel e pedir que eu guarde... Eu guardo mesmo! Aliás... não precisa nem me pedir um absurdo desses. E, mesmo com 10 quilos a menos de papel estocado, ainda ficou um montão, então daí vocês tiram a minha doença psicopata por papel.


Bem, o fato é que, em meio a esse papel todo, eu achei um poema do Nilson que ele me deu quando a gente estudava o terceiro ano do Ensino
Médio.

Eu olhei aquelas frases malucas e me deu um quentinho no coração ao mesmo tempo em que me veio a sua imagem na minha cabeça.

Nilson, eu queria que tu ainda estivesse aqui, pra continuar escrevendo esses poemas malucos e me pedir pra guardar, como este...

Mil segredos

Um dia eu estava pensando e falando

Um dia de noite, eram dez horas

Um dia de noite era meia noite e meia era dez e meia


Minha meia estava com meio chulé

O vento colorido e frio passava com seu cheiro de mulher

Mas mesmo assim, continuei sentado
Num banco redondo de quatro cantos

Estou lendo um jornal sem letras no reflexo da luz apagada

Com três manchetes seguintes:

"A ÁFRICA ERA RICA, HOJE ELA É POBRE"

"OS PAÍSES RICOS SÃO RICOS PORQUE ROUBARAM A ÁFRICA"

"A ÁFRICA ENRICOU OS RICOS E OS NOBRES"


Olhando para o céu, percebi que as estrelas eram gotas de mel

Pensei no meu segredo

Segredo é que tenho mil mulheres

Mas mil mulheres não me querem como seu segredo.
(Josenilson Ferreira de Lima)

sábado, 14 de fevereiro de 2009

O que é a felicidade.


No último fim de semana, dois amigos meus, que moram bem longe um do outro e não se conhecem, vieram me falar de uma mesma coisa. Os dois estavam se sentindo estranhos. Eles sentiam tristeza, ficavam mal-humorados de repente, sentiam uma angústia, um vazio, tudo isso, sem explicação. Eles não sabiam me dizer de onde vinham esses sentimentos e nem porquê.

Eu perguntei como estava a vida de cada um e os dois, deram respostas parecidas. A família estava bem, os estudos estavam bem, eles não tinham motivos aparentes para se sentirem assim e isso acabava piorando a situação.

Então eu, no alto da minha sabedoria-milenar-de-parachoque-de-caminhão, disse para eles que isso é uma coisa normal da vida. Todo mundo sente isso ao menos uma vez durante a sua existência. É claro que, no caso das mulheres, isso recebe o nome científico de TPM e acontece com uma freqüência maior mas, pensem bem, se os homens também tivessem esse troço todos os meses, o mundo não teria passado de Adão e Eva, não é mesmo? Tem que ter uma organização na coisa toda...

E isso é verdade mesmo. O ser humano é um bicho muito esquisito e complicado. Nós procuramos a felicidade o tempo todo, é como uma caça ao tesouro. Um tesouro muito precioso. O problema é que, quando nós o temos na palma de nossas mãos, simplesmente não conseguimos enxergar e, quando um ou outro consegue, ele ignora aquilo descaradamente e vai atrás de procurar sarna pra se coçar porque, o que parece, é que essa busca desenfreada pela felicidade é que justifica a vida.

Nós nos damos motivos inexistentes para a infelicidade. Isso é meio doido. Parece que ninguém se acha digno de ser feliz porque, quando você finalmente tem consciência de que é, começa a questionar se merece! Putz! Já vi um povo pra gostar de problema, viu?

Esses dois garotos estavam (e estão) felizes, sem problema algum na vida, tudo uma maravilha. Então, eles resolveram inventar alguma coisa mais emocionante pra passar o tempo. Um resolveu se perguntar se merece essa felicidade que está sentindo e o outro, resolveu criar um complexo com o peso dele e agir como se fosse uma modelo adolescente de 16 anos e se alimentar só de água durante todo o dia. E olha só a coisa mais maluca... Ele têm consciência disso tudo! Ele SABE que isso é coisa da cabeça dele. Ele mesmo me disse isso com todas as letras! Vai entender...

Esse negócio de felicidade, é como o amor. A gente procura, procura, procura e, quando tá na nossa frente a gente, automaticamente, vira a cara. Fica inventando uma complicação medonha sobre essas coisas, mesmo sendo algo absurdamente simples!

Um desses meus amigos me disse: "Está tudo tão bem, que me dá um medo. Hoje pode ser assim e amanhã pode não ser mais..."

Eu sei o que ele está sentindo. Eu já senti isso também (e pasmem! Fora do meu período de TPM). Mas, o que eu tento todos os dias colocar na minha cabeça é que, felicidade eterna não existe. É isso mesmo. Lamento desapontar os que achavam isso. E eu não estou falando porque eu decidi que é assim.

Há quase dois anos atrás, uma amiga minha me deu para ler, a
entrevista de um psicólogo na revista Veja. O americano Steven Hayes, de 57 anos, falou sobre esse negócio de felicidade. Ele disse que felicidade não é normal, a dor é que é. Isso é um absurdo! Você pensa. Mas eu acho que ele está totalmente certo. Como? Vamos seguir o raciocínio dele.

Steven Hayes diz que, felicidade é vista sempre como a ausência completa de dor. Quer dizer, o indivíduo só é feliz de verdade, quando não sente dor alguma e nem passa por decepções. Ora, vejam só, nessa vida é impossível você não passar por esses tipos de emoções. Nós não podemos ter o controle de tudo o tempo todo e evitar a mágoa, a chateação, a tristeza, a perda... Por mais que tudo esteja bem, uma hora ou outra, acontecem coisas que a gente não espera e não tem explicação. Como naqueles momentos em que você perde o controle da situação por alguns segundos, deixando a porta escapar e bater no dedinho do pé. Nossa, como isso dói, não é? E você fica se perguntando como foi que aquilo aconteceu, mas não tem resposta! Simplesmente aconteceu! Você não pode ter o controle de tudo sempre. A vida é isso. A dor é intensa, mas uma hora ela passa. Sempre passa.

Então, a felicidade que realmente existe, são momentos efêmeros que vêm e vão, como uma reunião com os amigos, uma viagem muito esperada, uma festa surpresa, o nascimento de um filho, irmão, sobrinho... Esses momentos não duram para sempre, a não ser na memória da gente. E a qualquer hora, você pode deixar a porta escapar e bater no dedinho do seu pé, isso é inevitável!

Nós temos que aproveitar esses pedacinhos de felicidade e deixar de se preocupar com a dor que a gente vai sentir mais na frente. Deixar de se perguntar: Será que eu mereço? Ora, a não ser que você tenha passado a perna em alguém para estar se sentindo feliz, você merece sim. Todo mundo merece.

Eu sei o que esses dois estão sentindo. Não é coisa para se preocupar, não é nada grave. Isso aí só é aquela perturbação que dá na gente quando estamos passando para a vida adulta e não sabemos como agir. A gente pensa que é uma coisa muito difícil porque achamos que, ser adulto, é ganhar um monte de conta e problema e que temos a obrigação de conseguir um emprego com salário inicial de cinco mil reais. E na verdade, não é!

A sociedade moderna coloca essa maluquice na cabeça da gente, mas ela está mentindo. Descaradamente. Não acredite nela. Ser adulto é ter determinação para ser o que você quiser e, ser feliz, acima de tudo, em cada gotinha de tempo em que você esteja fazendo uma coisa que goste muito, sem se preocupar com o que vai acontecer de ruim mais lá na frente porque, sobre essas coisas, a gente não tem controle, por mais que a gente tente.

Eu sei que eles vão ficar bem. Todo mundo fica.

E eu vou deixar aqui pra vocês, a letra de uma música de Tom Jobim e Vinícius de Moraes que eu gosto tanto:

A Felicidade
(Tom Jobim e Vinícius de Moraes)

"Tristeza não tem fim, felicidade, sim...
A felicidade é como a pluma

Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve, mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar...

A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval,
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento do sonho
Pra fazer a fantasia de rei ou pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira

A felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de flor
Brilha tranqüila, depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor
(...)

P.s: Apareceram mais dois pra completar aqui a lista. Por isso eu agora vou ali procurar uns incensos pra acender e o Banho da Cigana Poderosa porque o negócio tá brabo e eu não quero que essa "onda" pegue em mim, não. (rsrsrs)


É isso aí!

P.s. 2: Este texto foi escrito para a coluna Doida da Lua no blog 100 Eira Nem Beira, do amigo Manoel Filho, em 28/05/08.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

É assim...


- Nenhuma pessoa merece tuas lágrimas, e quem as mereça não te farão chorar.

- Só porque alguém não te ama como tu desejas, não significa que não te ame com todo seu ser.

- Um verdadeiro amigo é quem te pega da mão e te toca o coração.

- A pior forma de sentir falta de alguém é estar sentado a seu lado e saber que nunca o poderás ter.

- Nunca deixes de sorrir, nem mesmo quando estejas triste porque nunca sabes quem poderá enamorar-se de teu sorriso.

- Podes ser somente uma pessoa para o mundo, mas para alguma pessoa tu és o mundo.

- Não passes o tempo com alguém que não esteja disposto a passá-lo contigo.

- Quem sabe Deus queira que conheças muita gente enganada antes de que conheças à pessoa adequada, para que quando no fim a conheças , saibas estar agradecido.

- Não chores porque já terminou, sorria porque aconteceu.

- Sempre haverá gente que te machuque, assim, o que tens de fazer é seguir confiando e só ser mais cuidadoso com em quem confias duas vezes.

- Converte-te em uma melhor pessoa e assegura-te de saber quem és antes de conhecer mais alguém e esperar que essa pessoa saiba quem és.

- Não te esforces tanto, as melhores coisas acontecem quando menos esperas...

(Gabriel García Marquez)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Casa da vovó...


Casa da vó é tão bom, né? Não que a minha vó seja assim, aquela criatura delicada que fala baixinho, faz um monte de bolinhos pros netinhos e deixa eles fazerem o que quiserem... Muito pelo contrário! Minha vó nunca foi chegada a fazer paparicos em crianças, andava sempre com a cara fechada e brigava com a gente o tempo todo. A gente adorava isso! (rsrs)

Quer dizer, a gente era criança e criança não se importa muito com certas coisas. A gente queria saber mesmo era de brincar e acabou se acostumando com o jeito esquisito da minha vó.

Em compensação, havia o meu avô, que gostava de brincar com a gente, fazer bichinhos de palha de côco e chapéu de folha de planta. Ele acordava a gente imitando o Pato Donald e deixava a gente ir com ele quando ia levar o cavalo pra pastar.

Esses são meus avós maternos e eu, meus irmãos e meus primos adorávamos passar dias na casa deles, lá em José de Freitas, cidade que fica a 47km de Teresina.

Quando eu ainda era bem pequena e entrava de férias no colégio, a minha mãe me mandava logo pra casa da minha vó, pra passar pelo menos uma semana por lá. Até então, eu só tinha uma irmã mas, ela era bem mais apegada à mamãe do que eu, talvez também por ser mais nova. Então eu ia sozinha mesmo...

Havia uma prima muito querida, que eu gostava muito e nós achávamos o máximo fazer aniversário no mesmo dia. Quer dizer, eu pensei logo em nascer no dia do primeiro aniversário dela e, acho que isso uniu bastante a gente.

A minha vó, por mais que fosse briguenta e mal-humorada, cuidava da gente direitinho. Quando minha irmã cresceu mais um pouco, ela também ia comigo passar férias na casa da vovó, sem a mamãe.

Vovó comprava banana de casca verde pra gente. Sempre que a gente ia, ela comprava. Essa banana é uma delícia... Ai... eu consigo sentir até o gosto...

Quando vovô trazia milho verde da roça, ela fazia canjica pra mim. Hummm... Canjica...

Eu e a Larissa tínhamos copinhos e pratinhos personalizados. Havia bem mais netos e tal, mas só a gente tinha esse privilégio.

A casa da vovó era coberta de palha, as paredes eram de barro e o chão batido. Eu adorava aquela casa.

Durante a noite, a gente escutava uns barulhos esquisitos de bichos caminhando no telhado e como a casa dormia inteiramente mergulhada no escuro, era aterrorizante (rsrsrs). Isso era divertido também. Ainda não tinha energia elétrica. A gente passava a noite à luz de lamparina e eu juntava todos os primos em volta de alguma delas (de preferência, longe dos adultos) pra poder brincar com o fogo.

Os bichos eram um dos nossos passatempos preferidos, principalmente os enjeitados. Enjeitados são aqueles que a mãe não quis quando nasceu. Tipo, ela meio que abandona o filhote e não quer amamentar nem nada.

O primeiro deles foi o Júnior. Júnior era um cabritinho branco, rajado de preto, que era uma fofura. Eu lembro dos primos todos em volta dele, uns dois dias depois que ele nasceu. E eu fiquei penalizada quando vovô disse que ele era enjeitado. Coitadinho...

A gente vivia perto da casinha do Júnior e eu nem lembro direito quando e quem colocou esse nome nele. Mas era assim mesmo. Quando a gente se dava conta, todo mundo já tava chamando os bichos por nome que a gente nem reparava de onde saía.

O cabritinho era o nosso xodó, porque era pequenininho e gostava de brincar com a gente. Estava sempre onde a gente estava. Talvez porque sempre tinha alguma coisa pra ele comer. Tinha uma planta que nascia em outra maior, principalmente nos pés de caju. Eu não sei como, mas ela aparecia nos galhos da árvores e tinha a folha lisinha e fria. Nós colocamos o nome dela de maquiagem-gelada (rsrs). Isso porque era gostoso passar a folhinha gelada no rosto e refrescar um pouquinho do calor. A nossa maquiagem-gelada, era comida de bode. O vovô ensinou pra gente. Então, como nós sempre estávamos em cima de algum pé de caju, sempre tinha maquiagem-gelada pro Júnior comer.

Bem, um dia ele cresceu e já estava até dando chifrada em bumbum de gente (inclusive no meu...), então o vovô achou que já era hora de cozinhar o cabritinho. Nós ficamos tristes e fizemos um combinado de não colocar um pedaço daquela carne na boca... e, bem... a fome falou mais alto.

Certo dia, meu tio apareceu lá com um mambira. Pra quem não sabe, mambira é como as pessoas do interior chamam os tamanduás.

Ele era filhotinho e também a coisa mais fofa que eu já tinha visto na vida. Hoje eu sei que é errado criar esse tipo de animal, ainda mais tão novinho assim... Mas, gente do interior, ainda mais naquela época, não tinha muito conhecimento disso.

O fato é que a gente se apaixonou pelo mabira, que tomava leite numa latinha de sardinha e gostava de passear com gente. A primaiada se juntava, chamava ele e o bichinho saía correndo atrás da gente.

Um dia, porém, nós chegamos lá pro fim de semana e tivemos a triste notícia de que um vizinho malvado tinha roubado o mambirinha e comido o pobrezinho...

Daí, apareceu a Miúda. Miúda era uma leitoinha enjeitada que, por não ter sido amamentada pela mãe, ficou magrinha, magrinha e a minha tia, que resolveu cuidar dela, achou até que a coitadinha não escapava.

A Miúda também gostava de brincar com a gente e estava sempre por perto. Era como um cachorrinho... E com o tempo ela também foi ganhando peso... E vocês já sabem o resto, né? Panela! Nunca vi povo mais carnívoro!! Aff...

O Capoeira era um cavalo marrom e muito bonito que o vovô tinha. A gente colocou esse nome sem querer. Capoeira era o lugar onde o vovô deixava o cavalo pra pastar e a gente achou que fosse o nome do cavalo! Então ficou assim mesmo: Capoeira. E até que ele ficou bastante tempo com a gente porque, enfim, cavalo não se come!(rsrs)

A Kátia era uma cabra já crescida e muito dócil. A Letícia, minha irmã mais nova colocou esse nome nela porque gostava desses nomes chiques (rsrs). Mas nós a chamávamos carinhosamente de Katinha.

A Katinha parecia mais outra criança que brincava ali com a gente do que com uma cabra. A gente gritava o nome dela e ela atendia! E nós choramos muito quando meu avô vendeu a Kátia pro nosso tio... Enfim, nada dura para sempre, não é mesmo?

Então chegou o outro Júnior. Ele não era enjeitado e já estava bem crescido. Mas ganhou a nossa simpatia e nós ganhamos a dele também, de modo que ele estava sempre por perto e gostava de brincar de pega-pega com a gente. É claro que, era ele que sempre ficava (rsrs).

Nós conhecemos o Diego de uma forma muito triste... Diego era um bezerrinho que foi atropelado com a mãe dele na rodovia. A mãe do Diego morreu e ele teve fratura exposta. O osso da perna dele ficou todo pra fora e eu ficava com tanta pena toda vez que olhava pra ele... O bezerrinho teve que ficar deitado por um bom tempo, até que como um milagre, ele um dia conseguiu se levantar. Ele mancava um pouco ainda, mas andava! E acho que, pelo fato de ter ficado tanto tempo praticamente dentro de casa, deitado e recebendo comida na boca, ele ficou mansinho, mansinho e quase não ia pra longe. Ele gostava tanto que, quando meu avô falava com ele, ele respondia! Claro que, na língua dos bezerros, né? Porque, tá certo que a perna dele sarar, foi um milagre mas... falar Português, já é demais, né?! (rsrs)

E um dia eu coloquei na cabeça que todas as galinhas do terreiro tinham que ter um nome, porque elas poderiam ficar enciumadas por serem tratadas como galinhas normais já que, esses outros animais aí de cima tinham sua própria identidade.

Então eu saí pelo quintal, apontando cada uma e batizando a penosa com um nome escolhido cuidadosamente, de acordo com a sua personalidade e signo do zodíaco. Mentira. Eu dizia o primeiro nome que vinha na minha cabeça.

Clotilde, Maricota, Amanda, Carlota... Cada uma ganhou um nome. E no fim de todo esse processo... Eu não sabia mais quem era quem. E que que tá me olhando com essa cara aí?! Elas eram todas parecidas e, além disso, o que vale é a intenção. E pra falar a verdade, eu tenho absoluta certeza de que cada uma decorou seu nome. Ah! Pera aí, né?! São galinhas, pelo amor de Deus! Elas não precisam ter nome!

Ai, ai... Eu gostava muito desse tempo... Hoje a casa tem paredes sólidas de tijolo, telhas ao invés de palhas, a energia elétrica chegou faz tempo... A expansão da cidade não deixou mais espaço pra criar porco, nem bode, nem bezerrinho... Não tem mais o pé de caju pra subir, nem maquiagem-gelada... Os primos todos cresceram, tiveram filhos, viraram roqueiros esquisitos ou maloqueiros... Até a vovó ficou mais simpática e (pasmem!) carinhosa! (rsrs)

Mas eu tenho pelo menos a lembrança, certo? E ela vai estar aqui sempre...